As dores e delícias de ser quem se é - Uma leitura sobre Vulnerabilidade e Coragem

Atualizado: Abr 20


A vulnerabilidade pode ser entendida como fragilidade, a suscetibilidade a diferentes riscos: físicos, econômicos e sociais, limitando a vulnerabilidade a uma condição de algumas pessoas e situações específicas.



Podemos também compreender a vulnerabilidade como o campo que possibilita o sentir, como uma condição humana, que permeia todos, em graus diferentes, de acordo com a singularidade e história de vida de cada um.


Todos estamos sujeitos a experimentar as emoções e sentimentos, e é através do nosso sentir que damos sentido e significado à vida.


A rejeição à vulnerabilidade geralmente está associada a não querer vivenciar sentimentos negativos como medo, vergonha, tristeza e decepção. Contudo, a vulnerabilidade também é berço de emoções e experiências positivas que tanto almejamos, como amor, alegria, criatividade, coragem e empatia.


Ressignificar o sentido da vulnerabilidade, deixando de associá-la a fragilidade e uma condição de poucos, para reconhecê-la como parte de quem somos, contribui para seguirmos aprendendo com as emoções e sentimentos que nos são inerentes, aprendermos a viver a vida em liberdade e plenitude.


A vulnerabilidade emerge na vida de cada pessoa de maneira distinta, pois cada pessoa interpreta, elabora e dá sentido as suas experiencias de forma individual. Na nossa biografia, todos, em diferentes níveis, enfrentamos de alguma forma o medo, a vergonha, a rejeição e a humilhação.


A maneira que lidamos hoje com as críticas e julgamentos, por exemplo, dependerá de como significamos as rejeições e humilhações que sofremos no passado, principalmente na nossa infância. Estas experiências refletem na nossa autoestima, sentimento de pertencimento, autoconfiança e abertura na fase adulta.


Lidar bem com a vulnerabilidade está diretamente relacionado a autoaceitação, ao nível de autoconhecimento, o quanto conhecemos nossa luz e sombra, o quanto somos capazes de nos acolher e construir diálogos apreciativos conosco mesmo. A autoaceitação contribui para nossa resiliência em momentos desafiantes, nos adaptando e/ou respondendo de uma forma mais positiva a estas experiencias.


Estar vulnerável não é viver sem medo, mas é estar disposto a correr o risco da incerteza, é não se paralisar frente aos desafios da vida, é ter disposição para se expor de uma forma autêntica, é estar aberto, sem armaduras, fazer coisas sem garantia nenhuma.


Brené Brown, uma pesquisadora americana, referência no estudo de vulnerabilidade, demonstrou em seus estudos que as pessoas capazes de estabelecer conexões fortes e verdadeiras, são aquelas que lidam melhor com suas vulnerabilidades, que tem fortes sensações de pertencimento, valor próprio e coragem de serem imperfeitas.


Todos necessitamos, em intensidades diferentes, nos sentir amados, respeitados, pertencentes, ligados a outros seres humanos, e esta legítima conexão não vem da mente, vem do sentir, que só é possível através da vulnerabilidade. Na tentativa de evitar conflitos, preservando uma harmonia artificial nas nossas relações, não vivemos com profundidade a potência da conexão humana.


Assim, quanto menos autoaceitação, autoestima e sentimento de pertencimento, menos a pessoa se permite simplesmente ser. Não é capaz de estar presente, em inteireza, numa relação. Pode estar fisicamente, mas está mentalmente e emocionalmente, se relacionando com seus medos e conversas internas que a limitam.


Muito do sofrimento humano vem de um vazio subjetivo, no qual a pessoa não se sente compreendida em suas múltiplas dimensões. Mas buscar esta compreensão fora nos coloca em uma condição vulnerável de fragilidade, porém se buscamos esta compreensão dentro, trabalhamos a vulnerabilidade como uma força interna e potente para o nosso crescimento.


A vulnerabilidade tem o poder da nossa expressão mais genuína, que reforça confiança e amplia a qualidade dos vínculos interpessoais. Ao expressarmos nossos sentimentos e necessidades criamos um campo, uma abertura para uma conexão verdadeira. Como ser plenos negando partes dentro de nós?


Apesar de muitos buscarem a plenitude, vivem a escassez. A escassez no sentido de viver a sensação de nunca ser ou ter o bastante. Buscam a felicidade, o amor, mas se ocupam daquilo que não é, não tem. Vivem a comparação, buscando uma perfeição inatingível, vivendo nostalgias do passado ou um futuro idealizado.


Seguem o caminho de olhar para fora, valoriza a conquista dos outros e não as suas, se comparam por não reconhecer sua singularidade, vivem sentimentos ora de superioridade, ora de inferioridade e tem a criatividade embotada por perseguir padrões fora de si, acreditando em medidas ideais.


Evitam correr riscos, mudanças e novas experiencias, não compartilha seus conhecimentos e experiencias por não se valorizar, por acreditar que ninguém vai se interessar por aquilo que é, pensa, fala e faz.


Quanto mais coerência entre o que pensamos, sentimos e agimos, mais autoconfiança temos e mais confiáveis nos tornamos. Quanto mais negamos ou fugimos das nossas emoções e sentimentos, mais incoerentes e frágeis somos.


Abraçar nossa vulnerabilidade pode não ser confortável, requer coragem aceitar nossa singularidade, liberar-se do controle e expectativas do outro, ser livre para ser quem se é, e não escravos de algo que acreditamos que devemos ser.


Quando assumimos este compromisso conosco, somos capazes de ser mais compassivos diante aos nossos erros e limitações. Podemos deixar a máscara do forte, do perfeito, e sem esta capa de proteção, abrirmos a possibilidade para fluir na vida e nas nossas interações com o mundo.


Ao acolher e aceitar minhas imperfeições, posso acolher e aceitar as imperfeições do outro, se estou dando o meu melhor, posso confiar que o outro também está dando o dele. Ampliamos nossa capacidade de empatia, aprendendo que por traz de toda crítica, julgamento e rejeição do outro, há também necessidades, emoções e sentimentos negados, não compreendidos e acolhidos.


Quantas vezes necessitamos de ajuda e não pedimos? Quantas vezes nos sentimos feridos e não demonstramos? Quantas vezes tivemos vontade de chorar e reprimimos o choro? Quantas vezes desistimos de um sonho por medo? Quantas vezes deixamos de expor um sentimento para não sermos rejeitados? Quantas vezes deixamos de dar uma opinião com medo de ser ridículo?


Ser fraco é expor os sentimentos? Ser ridículo é mostrar nossas dúvidas e incertezas, nossa singularidade? Como descobrir novas possibilidades se não vivermos o desconhecido? Como experimentar as maravilhas desta viva, em toda a sua diversidade, se não nos abrimos a estas experiencias?


É necessário aprofundarmos no autoconhecimento para sermos cada vez mais livres e não prisioneiros do medo e condicionamentos passados. O medo pode nos salvar de situações perigosas, mas também pode nos bloquear a viver experiencias incríveis. Não precisamos negar o medo, é preciso aprender a canalizar a emoção de maneira adequada.


Por isto a relação entre vulnerabilidade e coragem. Coragem é a capacidade de seguir em frente, de agir apesar do medo. A palavra tem sua origem do latim e significa agir com o coração, agir de acordo com o que se sente verdadeiramente. É ter a compreensão que na vida sempre correremos algum tipo de risco, que as vezes vamos conhecer nossa verdadeira força quando enfrentamos nossa maior fraqueza.


Requer coragem aprender a lidar com as emoções e sentimentos, não deixar nossos desejos e sonhos serem controlados ou bloqueados pelos outros, aprender a lidar com o desconforto, com a dor, aprender a ter conversas difíceis. É preciso comprometimento para encontrar o prazer em ser quem se é, aprender a rir dos nossos erros e imperfeições perfeitamente existentes pela nossa condição humana.


Buscar a perfeição para evitar ser criticado é um mecanismo falho, uma ilusão, pois não deixamos de nos ferir tentando ser perfeitos, nos ferimos tentando ser algo que não somos, que ninguém é. Quanto mais compreendemos nossa condição humana, mais humanos nos tornarmos.


Dentro da nossa condição atual, do olhar mais para fora do que para dentro, é praticamente impossível não sofrermos críticas e julgamentos. A grande questão é aprender a aceitar como estamos e dar o verdadeiro valor para quem somos. Aprender a lidar com nossas reações quando confrontados com a incerteza e exposição emocional.


A grandeza do nosso ser está em nos amar incondicionalmente, reconhecer o estado que nos encontramos, conhecer nossas qualidades e limitações para seguir nos aprimorando e evoluindo. Isto é ampliar nossa autoestima, autoconfiança, nossa consciência e liberdade. É usar com sabedoria nossa energia em batalhas que podemos vencer, em vez de gastar energia em batalhas que ilusoriamente achamos que podemos controlar e ganhar.


Não somos impenetráveis. Não possuímos escudos para evitar o sentir. Não temos o controle da vida, temos o comando de escolher como viveremos. Não somos pessoas perfeitas e capazes de sentir somente boas emoções e sentimentos. Viver a vulnerabilidade é ir além do medo e do orgulho, é sermos honesto conosco para reconhecermos nossas virtudes, mas também nossas imperfeições, nossa humanidade.


Que possamos viver as dores e delícias de ser quem se é com amor e gratidão, capazes de enfrentar as dores da vida com consciência dos aprendizados e crescimento que nos proporciona, sem precisar entrar em sofrimento, pois este, como muitos já sabem, é opcional.


Que possamos nos fortalecer em autoconhecimento, valorizando e respeitando nossa singularidade e dos quase 8 bilhões de pessoas neste mundo, para contribuirmos individualmente com o nosso melhor para o grande coletivo que somos, e, juntos, respeitarmos e cuidarmos deste planeta que nos acolhe e nos ensina.


SOBRE A AUTORA

Laura Oyama, Psicóloga, Consultora, Coach de Vida e Carreira, Facilitadora da Jornada do Propósito e cursos voltados ao autoconhecimento, empoderamento pessoal e prosperidade.


No Coaching de Vida e Carreira, trabalha a coerência entre pensar, sentir e agir com base no autoconhecimento, na história de vida individual, na identificação e transição de padrões e crenças que limitam a vida, no empoderamento para fazer escolhas mais conscientes e sustentáveis a médio e longo prazo. Apoia também no planejamento e organização para realização de sonhos e metas específicas: como aprimorar habilidades, dar um novo passo na carreira, iniciar um empreendimento, realizar uma transição de vida ou profissional.


Na Jornada do Propósito facilita a experiência de alinhar-se com o seu sentido de vida. A identificar aquilo que não quer mais em sua vida, a trabalhar a transição para o novo, a apropriar-se de seu potencial e singularidade, para manifestar com mais prazer e confiança seus dons e talentos únicos e especiais.


Acredita na prosperidade para todos, na união do nosso poder criativo, dos nossos dons e talentos singulares que se complementam, na potência individual e coletiva que vem da coragem de ser quem somos em essência.



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